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  UFMT com medo  
  14/03/2013 - 17:24  
 Cada tiro de borracha exemplo de como se deve temer um policial fardado 

Há duas semanas, publiquei o artigo “Educados para o medo”. Nele, tratei dos desdobramentos da denúncia que o Ministério Público de São Paulo (MPE) apresentara contra 72 estudantes da USP que ocuparam, no ano passado, o prédio da Reitoria.

A retirada dos estudantes se deu de forma inusitadamente violenta. A PM/SP abusou da força bélica. Covardemente, transformou o campus da USP em campo de batalha. Até rasantes de helicóptero houve. A origem de tudo foi um pequeno delito, aliás, já ultrapassado como tal em outros países: três estudantes fumavam maconha dentro de um carro estacionado.

Depois disso, conforme publicou O Estadão de São Paulo (07/02), o MPE representara os estudantes “...não só por formação de quadrilha como por posse de explosivos, dano ao patrimônio, desobediência e crime ambiental por pichação...” Previamente, a denúncia é mais uma violência contra os estudantes, agora no campo simbólico.

Ao final do meu artigo, afirmei que a postura do MPE reforçava o cultivo do medo entre os acadêmicos; medo que é um dos elementos arraigados em nossa cultura, por ser mais uma de nossas malditas heranças coloniais.

Nesse sentido, no sec. XVIII, os envolvidos na Inconfidência Mineira – muitos deles ex-estudantes recém-chegados da Europa – serviram como os primeiros exemplos de como um cidadão brasileiro deve temer o aparato repressivo do Estado.

Concluí minhas reflexões lembrando justamente o poema “O medo”, de Drummond: “Em verdade temos medo.../ Nascemos no escuro.../ E fomos educados para o medo...”

E assim vamos tocando a vida. Agora, foi a vez de integrantes da PM/MT espancarem sem dó nem piedade um pequeníssimo grupo de estudantes que – pacificamente – se manifestava em uma via pública, por conta do fechamento de vagas na casa estudantil.

Éh, meus caros! Althusser – que pertencente à boa linhagem dos clássicos que pensam a sociedade com base na realidade – tinha razão, quando tratou dos Aparelhos Ideológicos e dos Repressivos do Estado. Ele nunca se enganou sobre os papéis sociais de suas instituições, como se enganam, hoje, acadêmicos pós-modernos do baixo clero das universidades, inclusive da nossa. Polícia é polícia.

Isso é fato. Mas precisava de tanta agressividade contra estudantes visivelmente inofensivos? Vendo aquelas cenas, que agora voam mundo pelas redes, penso no tempo e no dinheiro gastos pela UFMT com cursos visando à formação de uma “polícia cidadã”. Bela mostra!

Cada tiro de borracha (e foram muitos...), cada tapa na cara (e foram tantos...), cada chute (e foram vários...) nos estudantes era dado como que para servir de exemplo de como se deve temer um policial fardado e armado.

Depois daquela desleal batalha no asfalto, as cenas foram deslocadas para delegacias e hospitais. Como resposta, muitos estudantes – em solidariedade – fizeram uma passeata. Um comandante foi exonerado; alguns policiais, afastados. A PM/MT não tinha outra saída. Ordenou até mesmo que uma subtenente parasse de acusar de maconheiros – pelo facebook – os estudantes da UFMT.

Tudo terminou? Não. Na segunda-feira passada (11/03), alguns dos acadêmicos agredidos pela PM declaram à mídia local estar sendo constrangidos com a passagem incessante de viaturas da PM na rua onde moram. Antes, isso não ocorria com a mesma frequência. Com todas as letras, disseram temer pelas suas vidas. E quem não temeria?

Esperando que ameaças não se concretizem e aguardando o repúdio público dos colegas docentes da UFMT que trabalham com o tema violência, declaro minha solidariedade aos nossos estudantes.

ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ é doutor em Jornalismo pela USP e professor de Literatura na UFMT.


 



Fonte: ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA S



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